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Blog sobre mobilidade urbana e bicicletas é escrito por Daniel Guth, diretor de Participação da Associação de ciclistas urbanos de São Paulo e líder da Rede Bicicleta para Todos.

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Avenida Paulista, o mais novo cartão-postal da bicicleta em São Paulo

Por Daniel Guth

 

Foto: Thiago Benicchio
Foto: Thiago Benicchio

Hoje, domingo, está acontecendo a famigerada abertura oficial da ciclovia da Avenida Paulista. Um momento histórico e de muita celebração.

Enquanto milhares estão, neste momento, em plena Avenida comemorando esta importante conquista, outros tantos estão se perguntando o que esta obra tem de tão importante e simbólica.

Aqui elencamos alguns pontos que merecem especial destaque e que tentam explicar por que a ciclovia da Avenida Paulista suscita tantas paixões entre os ciclistas, motivos que já a tornam uma das principais implantações do sistema cicloviário de São Paulo.

Contagens de ciclistas: 2010, 2012, 2015

Há muito os ciclistas já conhecem a demanda real que existe na Avenida Paulista para deslocamentos feitos em bicicletas. Preocupados com isto e com dar visibilidade a esta demanda, a Ciclocidade – Associação de ciclistas urbanos de São Paulo, realiza contagens periódicas de ciclistas nesta via. Veja abaixo o comparativo do número total de ciclistas nos anos de 2010, 2012 e 2015 (antes da abertura da ciclovia).

O aumento de quase 30% no número de ciclistas na Avenida Paulista, entre 2012 e 2015, mostra a tendência de crescimento no número de ciclistas na região central. Mesmo sem uma estrutura segregada que garantisse segurança e conforto, os números abaixo já revelam uma importante demanda e que por si só já justificariam a ciclovia naquela via. Com uso intenso de ciclistas já na primeira semana depois de sua abertura podemos afirmar, com absoluta certeza, que a ciclovia da Avenida Paulista já nasce subdimensionada. Em pouco tempo teremos de discutir seu alargamento devido ao volume de pessoas que a utilizarão diariamente.

Fonte: Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo

Uma vitória de todos os ciclistas de São Paulo

Esta ciclovia é a consolidação do acúmulo histórico, do desejo e das reivindicações históricas da própria sociedade civil organizada. Foram anos de solicitações, ofícios, manifestações, cartas públicas, petições e até projetos básicos de ciclovia foram doados à Prefeitura.

A ausência de uma estrutura segregada e segura aos ciclistas na Avenida Paulista foi, inclusive, o pontapé inicial para a agenda pública que os ciclistas construímos com o Prefeito Fernando Haddad, durante os primeiros meses de seu mandato.

Esta ciclovia, portanto, não é “do Haddad” ou “desta gestão”. É, concluo, uma ciclovia de todos os cidadãos que há décadas batalham pela humanização das vias da cidade.

Foto: João Lacerda
Foto: João Lacerda

Vida e Morte

Nenhuma morte causada pela motorização do nosso trânsito poderia ser aceitável. Encaramos estas mortes como meros efeitos colaterais de um sistema voltado ao desenvolvimento e ao progresso. E a Avenida Paulista tem um tenebroso passado neste aspecto.

Amigas e amigos nossos foram assassinados nesta via por conta da pressa, da intolerência, das altas velocidades, da imprudência e do desenho da via que desfavorece os modos ativos de deslocamento. A ciclovia da Avenida Paulista, portanto, é a nossa grande homenagem à VIDA, que nunca pode ser subjugada pelo motor.

Praça do Ciclista

O principal ponto de encontro dos ciclistas de São Paulo se encontra na própria Avenida Paulista: a Praça do Ciclista (oficializada em 2007). Precisa dizer algo mais?

A Bicicletada (critical mass)

Foi em Junho de 2002 que se deu a primeira bicicletada de São Paulo, surgida no esteio dos movimentos autogestionários e de enfrentamento à lógica do capital. E não é de se estranhar que desde sempre a Avenida Paulista, uma via símbolo do capital e do business, seja o palco principal da bicicletada. Conheça um pouco desta história.

Foto: Rachel Schein
Foto: Rachel Schein

Uma via para as pessoas

Todos os dias são 1,5 milhão de pedestres circulando pela Avenida Paulista. Quase 1 mil ciclistas no período de contagem, centenas de skatistas, cadeirantes, patinadores. Aos domingos, o trecho da ciclofaixa de lazer na Avenida Paulista é o mais concorrido de todos.

Antes da sua principal reforma, em 1974, que alargou a via visando criar mais espaço para a circulação de automóveis, as pessoas possuíam praticamente o dobro do espaço hoje existente como calçada. Mesmo com a diminuição destas calçadas, a remoção das linhas de bonde, a abertura de novas faixas de rolamento e o limite alto de velocidade regulamentada, a Avenida Paulista continuou vocacionada aos transportes ativos e públicos. A ciclovia, como estrutura para promover esta mobilidade ativa, está totalmente alinhada com esta vocação de uma via para as pessoas.

Cartão postal da bicicleta

Não há nada que promova mais o uso de bicicletas na cidade do que cada vez mais pessoas usando bicicletas. Pode parecer óbvio, mas não é. Uma pessoa usando uma bicicleta, como humanizadora dos espaços públicos e do próprio trânsito, retroalimenta a própria mobilidade por bicicletas a partir do exemplo, da irradiação de uma nova relação com a cidade, da quebra de paradigma da clausura da mobilidade motorizada.

A ciclovia da Avenida Paulista terá um papel fundamental na promoção do uso de bicicletas em São Paulo. O dia todo será possível observar mulheres, crianças, idosos, entregadores, famílias, empresários, garis, todos circulando de bicicleta. Na hora do rush, enquanto centenas estarão parados no trânsito e estressados dentro de suas caixas de ódio – outras centenas de pessoas estarão circulando com um sorriso no rosto na ciclovia. O impacto disto para convencer mais pessoas a experimentarem seus deslocamentos em cima de uma bicicleta é incomensurável.

Por estas razões, portanto, é que a ciclovia da Avenida Paulista já nascerá como o principal cartão-postal da bicicleta na cidade de São Paulo.

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